Entrevista: Grindhouse Hotel

Na crescente cena de stoner rock brazuca, mais um nome batalha por um lugar de destaque nos palcos alternivos. O Grindhouse Hotel tem se movimentado marcando shows pelo estado de São Paulo e outras localidades onde habitam fãs do estilo.

Não demorou muito para o selo Monstro Discos reparar na banda e organizar uma turnê (que acontece em julho). Dois integrantes já eram conhecidos de longa data deste que vos escreve e um dia fuçando bandas novas no oceano de informações da rede, me deparei com eles. O som caberia perfeitamente numa boa cena de briga de bar num daqueles filmes estrelados pelo truculento Steven Segall.

Saiba mais sobre o GHH na entrevista abaixo:

1 – Como a banda começou?

Basicamente, começou depois de eu ter me mudado pra São Paulo. Eu já tinha tocado com o Luiz e o Carandina, quando morávamos em Bauru entre o final dos anos 90 e começo dos anos 2000. O pesosal já tinha montado uma banda com um baterista que acabou não dando muito certo e o projeto ficou em stand by. Após saberem que eu estava por aqui, veio a idéia de retomar tudo e… aqui estamos!

2 – Já tiveram passagens por outros projetos? Quais?

Eu, o Luiz e o Carandina, tivemos por muito tempo uma banda de hardcore melódico chamada Drifter. Além disso, toquei num cover do Black Sabbath e tive uma banda chamada Prize, tudo isso lá em Bauru. O Luiz tocou um tempo no Food 4 Life e o Leandro passou pelo Ponto Final, Fim do Silêncio, entre outras.

3 – Quantas formações tiveram até agora?

Estamos na segunda formação. É aquela coisa né, acho que toda banda de verdade sempre começa com amigos se juntando por pura diversão e sem aquela pretensão, ou não, de conquistar o mundo. Foi o que fizemos. Para a nossa alegria (hehe), a banda foi tomando um rumo legal e as coisas acontecendo. Infelizmente, não deu pro Carandina nos acompanhar, devido a inúmeros compromisso pessoais dele. Com a saída dele, entrou o Roger Marx, que além de baixista é tatuador, e tem uma pegada diferente e tudo mais, além de ser muito gente boa. O Carandina é nosso grande amigo, foi uma pena mesmo não ter
dado pra ele continuar com a gente! A formação atual é: Leandro Carbonato (guitarra/vocal), Gustavo Cardoso (bateria/vocal), Luiz Natel (guitarra/vocal) e Roger Marx (baixo).

4 – O metal e o stoner rock ainda são bem assimilados pelo público de bandas
independentes?

Sim! São bem aceitos e bem asismilados. O metal, na minha opinião, deu uma baixada momentânea (corrija-me se estiver errado), mas o stoner está meio que na “moda“ (por isso fazemos stoner – risos). Brincadeiras a parte o stoner está ficando cada vez mais em foco no Brasil, principalmente, devido ao “boom“ de bandas do estilo vindas de Goiânia. Na real, não tivemos a pretensão de fazer esse ou outro estilo. Começamos a banda tirando 4 covers de rock (Ramones, Queens of the Stone Age, Social Distortion e The Clash), fizemos 2 deles e já paramos, pois já tivemos uma idéia de música (You Stink Motherfucker) e seguimos nessa linha. E o stoner veio de forma natural. De verdade, nem gosto muito de definir como stoner. Pra mim é rock and roll e pronto!

5 – Porquê o nome “Grindhouse Hotel”? Vocês são fãs de filmes de terror?

Sim, gostamos muito, principalmente o Luiz que tem uma boa coleção. Fizemos nosso primeiro show com o nome de “The Wild Adults“. Quando fizemos uma gravação ao vivo, o Carandina estava com uma camiseta que tinha esse nome nela. Achamos legal na época, mas depois começamos a encanar e decidimos por trocar o nome. Aí, após muitas idéias, veio Grindhouse Hotel, que agradou todo mundo!

6 – Quando vocês tocam ao vivo novamente? Previsão para novos lançamentos?

Tocamos dia 18/05, no Hangar 110, com o Hateen. Foi bem legal! Foi um show onde eles fizeram um disco deles antigo na íntegra! Não temos uma nova data fechada ainda. Em julho, iremos fazer uma tour por Goiânia, Brasília e afins, organizada pelo pessoal da Monstro Discos, nosos selo. Em agosto devemos fazer outra tour pelo estado de São Paulo, também organizada pela Monstro. Fora isso, iremos lançar um disco em outubro e é nisso que estamos focados agora. Também temos planos de fazer um split em vinil com uma banda amiga de Goiânia e devemos fazer uma apresentação na TV Trama logo mais também.

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Entrevista com Black Drawing Chalks

Indo contra a corrente do indie pop e com uma das carreiras mais promissoras saídas da cena underground da última década, o Black Drawing Chalks  encontrou no no heavy metal e no stoner rock a sua forma de se expressar para as massas.

Vindos de Goiânia, os quatro integrantes passaram de frequentadores de festivais locais a parte integrante da cena que nos deram MQN Cambriana. Após passarem por dois eventos de grande porte (SWU, Lollaplooza), encontrei um de seus integrantes no show do britânico Carl Barat, em que os rapazes além de abrir a apresentação, tocaram junto com o próprio. Aproveitei e marquei uma entrevista com seus dois vocalistas/guitarristas Edimar Filho e Victor Rocha.

 

1 – Como vocês se conheceram? O cenário musical local os influenciou para ter uma banda?

Nos conhecemos na universidade, montamos uma banda da turma da faculdade, mas logo montamos o BDC, que era parte dessa outra banda.

Sempre fomos influenciados pela cena local, que era cheia de shows pequenos, festivais que nos deixavam mais próximos dos caras das bandas, fazendo o sonho de ter banda algo nao tão surreal.

2 – E o nome Black Drawing Chalks? De onde surgiu?

Surgiu da caixa de lápis carvão, importado de uma amiga nossa. Que era muito antiga, acho que nem existe mais. Gostamos de nomes complicados, da sonoridade.

3 – Quais foram os principais grupos que te influenciaram?

No início o BDC era bem influenciado por Corrrosion of Conformity, Pantera, Down, Faith no More, Black Sabath, Led Zeppelin, depois fomos assimilando influencias de diversos tipos e tempos diferentes, inclusive da nossa própria terra, como o MQN.

4 – Estar no rock no Brasil = estar fodido, mas se divertir?

Em termos muito práticos, pode se dizer que sim. Mas isso depende muito da banda. A frustração é proporcional à expectativa. A banda tem que saber seu tamanho, e saber como trabalhar nesse mercado. Tem vez que os ganhos, e tudo que você soma para sua vida no final, é de um valor incalculável.

Tem hora que você acha que tá meio que ficando velho já pra isso. Mas sempre que você acha que tá ficando velho, vem alguma injeção de animo de novo, e você se sente novamente como um cara de 18 anos numa banda de rock! O resumo é: Se você sabe que está fodido, talvez você não esteja tanto. Mas se você achar que não está, ai, meu caro, você está, e muito!

5 – Qual o melhor show que vocês fizeram até hoje? E o pior?

Difícil, tem vários, existe aquele show em lugares apertados, quentes, sujos, que são inesquecíveis, parece que todos resolvem ficar loucos e pular até nao agüentar mais com a gente. Tem shows para grande numero de pessoas como no SWU, Lollapalooza, que são ótimos também, experiências diferentes.

Shows ruins, nós procuramos esquecer, mas alguns realmente traumatizam, inclusive os que envolvem correntes elétricas, rsrsrrs. Já pegamos horas de estrada dirigindo com instrumentos no colo, pra chegar em lugares pra tocar, sem nada de divulgação, sem nada de backline, lidando tudo na linha e tocando pra 5 pessoas, e depois nao ter onde dormir. Nessas horas o ego da gente toma uma porrada bonita!

6 – E os projetos paralelos? Vão continuar?

Projetos são sempre uma coisa que não se planeja muito. Por enquanto, não existe nada nesse sentido sendo programado. Mas se aparecer alguma coisa legal, que a gente ache que vai ser divertido de fazer, a gente topa sim!

7 – Com quais artistas internacionais vocês mais gostaram de tocar até agora?

Motorhead foi memorável, poder trocar idéia rápida com Lemmy, a lenda é algo que quero contar para meus bisnetos. Tocar com bandas como Datsuns, Nashville Pussy, Eagles of Death Metal, Queens of Stone Age, Rage Agains the Machine, Arctic Monkeys, Foo Fighters, Black Mountain, Muse, Sepultura… Enfim, poder dividir backstage, camarin, passagem de som com uma galera dessas é um privilégio para poucos. A gente tenta observar e aprender.

8 – Planos para o segundo semestre?

A gente está bem focado no lançamento do álbum novo, e em todo o trabalho de divulgação para esse trabalho. Os planos para o segunda semestre, são o lançamento do quarto álbum, alguns vídeo clipes, e rodar o Brasil todo de novo, tocando as músicas novas.

Nirvana e Tad: Fahrenheit Concerts 1989

 

Um raro momento do Nirvana em seu início de carreira dividindo espaço com o monstro do grunge Tad no Fahrenheit Concerts em  1/12/1989.

Um ano depois, toda a cena local de Seattle ia ficar na mira da indústria fonográfica e ditaria parte do comportamento da geração x.

Minha homenagem ao Dia do Rock

Para muitos o rock nasceu oficialmente em 1955. Ano em que os precursores começaram a incomodar uma geração que não queria enxergar tamanha revolução acontecendo nas lojas de discos, rádio e nos até então, recatados bailinhos. Logo foi adotado pela juventude. Era sinônimo de rebeldia, da luta contra o senso comum.

Anos se passaram e assim como uma criatura híbrida, o estilo foi mudando, amadurecendo, gerando divisões e subdivisões. Sempre mantendo seu caráter contestador, da luta do mais fraco contra o opressor. Ficou mais arrastado, pesado, horas suave…outro rápido como fecho de luz. Glamouroso, podre, chique e cafona. Não necessariamente nesta ordem.

Em 13 de julho de 1985, foi proclamado seu dia. Uma data em que mais uma vez fomos testemunhas de seu poder de agregar pessoas por uma causa nobre, que por alguns instantes acordaram um novo público tido como alienado por nossos pais.

Ele pode não ser mais a última novidade, mas se em algum momento você teve vontade de mudar algo de forma corajosa e independente, você teve uma atitude rock n roll!

Não importa se é careta, maluco, rockabilly, hippie, glam, metal, progressivo, punk, indie… todos fazemos parte desse palco da vida real e de certa maneira, da vida dos ídolos que nos encorajaram a continuar nos momentos difíceis.

Feliz Dia do Rock.

Gwar – Os verdadeiros monstros do rock

No universo do shock rock, talvez vocês lembrem de Alice Cooper, Kiss, Marilyn Manson e Slipknot. Bem, existe uma banda que deixaria todos esses nomes com calafrios. Eles atendem por Gwar!  Um grupo literalmente monstruoso surgido em Richmond (Virginia) no ano de 1984. Misturando metal a temas de ficção científica e filmes de horror, a banda já teve inúmeras formações e lançou  doze discos e um EP nesses quase 30 anos de existência.

Os lançamentos vinham acompanhados por uma fita vhs (depois DVD) que continha os clipes das músicas e alguma história de destruição mundial com o grupo em destaque. Os shows eram diversão garantida com direito a sacrifícios (de brincadeira), muito sangue de mentira, fogo e seres assustadores.

“Uma das caprichadas t-shirts da banda

O sucesso bateu a porta nos 1990, graças a um conhecido cartoon chamado “Beavis & Butt Head“. Toda vez que o Gwar aparecia no vídeo, a dupla de headbangers vibrava. Bradando o nome do grupo como algo sagrado. Isso deu uma ajuda nas vendas do álbum “This Toilete Earth” (lançado em 1994).

Atualmente eles continuam a se apresentar como um quinteto formado pelas entidades: Oderus Urungus, Flattus Maximus, Balsac the Jaws of Death, Beefcake The Mighty e Jizmak Da Gusha. Nomes nada recomendáveis para batizar seu filho. Seu lançamento mais recente foi “Bloody Pit of Horror” no ano passado.