Entrevista com Black Drawing Chalks

Indo contra a corrente do indie pop e com uma das carreiras mais promissoras saídas da cena underground da última década, o Black Drawing Chalks  encontrou no no heavy metal e no stoner rock a sua forma de se expressar para as massas.

Vindos de Goiânia, os quatro integrantes passaram de frequentadores de festivais locais a parte integrante da cena que nos deram MQN Cambriana. Após passarem por dois eventos de grande porte (SWU, Lollaplooza), encontrei um de seus integrantes no show do britânico Carl Barat, em que os rapazes além de abrir a apresentação, tocaram junto com o próprio. Aproveitei e marquei uma entrevista com seus dois vocalistas/guitarristas Edimar Filho e Victor Rocha.

 

1 – Como vocês se conheceram? O cenário musical local os influenciou para ter uma banda?

Nos conhecemos na universidade, montamos uma banda da turma da faculdade, mas logo montamos o BDC, que era parte dessa outra banda.

Sempre fomos influenciados pela cena local, que era cheia de shows pequenos, festivais que nos deixavam mais próximos dos caras das bandas, fazendo o sonho de ter banda algo nao tão surreal.

2 – E o nome Black Drawing Chalks? De onde surgiu?

Surgiu da caixa de lápis carvão, importado de uma amiga nossa. Que era muito antiga, acho que nem existe mais. Gostamos de nomes complicados, da sonoridade.

3 – Quais foram os principais grupos que te influenciaram?

No início o BDC era bem influenciado por Corrrosion of Conformity, Pantera, Down, Faith no More, Black Sabath, Led Zeppelin, depois fomos assimilando influencias de diversos tipos e tempos diferentes, inclusive da nossa própria terra, como o MQN.

4 – Estar no rock no Brasil = estar fodido, mas se divertir?

Em termos muito práticos, pode se dizer que sim. Mas isso depende muito da banda. A frustração é proporcional à expectativa. A banda tem que saber seu tamanho, e saber como trabalhar nesse mercado. Tem vez que os ganhos, e tudo que você soma para sua vida no final, é de um valor incalculável.

Tem hora que você acha que tá meio que ficando velho já pra isso. Mas sempre que você acha que tá ficando velho, vem alguma injeção de animo de novo, e você se sente novamente como um cara de 18 anos numa banda de rock! O resumo é: Se você sabe que está fodido, talvez você não esteja tanto. Mas se você achar que não está, ai, meu caro, você está, e muito!

5 – Qual o melhor show que vocês fizeram até hoje? E o pior?

Difícil, tem vários, existe aquele show em lugares apertados, quentes, sujos, que são inesquecíveis, parece que todos resolvem ficar loucos e pular até nao agüentar mais com a gente. Tem shows para grande numero de pessoas como no SWU, Lollapalooza, que são ótimos também, experiências diferentes.

Shows ruins, nós procuramos esquecer, mas alguns realmente traumatizam, inclusive os que envolvem correntes elétricas, rsrsrrs. Já pegamos horas de estrada dirigindo com instrumentos no colo, pra chegar em lugares pra tocar, sem nada de divulgação, sem nada de backline, lidando tudo na linha e tocando pra 5 pessoas, e depois nao ter onde dormir. Nessas horas o ego da gente toma uma porrada bonita!

6 – E os projetos paralelos? Vão continuar?

Projetos são sempre uma coisa que não se planeja muito. Por enquanto, não existe nada nesse sentido sendo programado. Mas se aparecer alguma coisa legal, que a gente ache que vai ser divertido de fazer, a gente topa sim!

7 – Com quais artistas internacionais vocês mais gostaram de tocar até agora?

Motorhead foi memorável, poder trocar idéia rápida com Lemmy, a lenda é algo que quero contar para meus bisnetos. Tocar com bandas como Datsuns, Nashville Pussy, Eagles of Death Metal, Queens of Stone Age, Rage Agains the Machine, Arctic Monkeys, Foo Fighters, Black Mountain, Muse, Sepultura… Enfim, poder dividir backstage, camarin, passagem de som com uma galera dessas é um privilégio para poucos. A gente tenta observar e aprender.

8 – Planos para o segundo semestre?

A gente está bem focado no lançamento do álbum novo, e em todo o trabalho de divulgação para esse trabalho. Os planos para o segunda semestre, são o lançamento do quarto álbum, alguns vídeo clipes, e rodar o Brasil todo de novo, tocando as músicas novas.