Resenha: Band of Horses no Beco SP

Depois de passarem meio desapercebidos no imenso line up da versão brasileira do Lolapalooza, os barbudos do Band of Horses retornaram ao Brasil para fazer sua própria mini tour. Ainda divulgando “Infinite Arms” de 2010, o quinteto se apresentou na segunda (21/05) na versão paulista do Beco para seus fãs, que saíram de casa sem se preocupar com uma ressaca em pleno início da semana.

Os americanos entraram em cena (com um atraso de quase uma hora) disparando a certeira “Factory“.  O grupo é frequentador de trilhas de filmes e seriados teens devido a seu apelo indie folk com boas dosagens de peso e melancolia. “The Funeral“, “Is There a Ghost“, “No One´s Gonna Love You” e “Dilly” foram algumas das faixas que empolgaram o público.

Empolgada também, estava a banda com a recepção calorosa do público paulista. Os próprios, declararam que era uma das melhores plateias pra quem  já tocaram, e querem voltar nos próximos anos. O set list foi finalizado com “Am I Good Man” ,e o vocalista Ben Bridwell exibia um papel escrito “You are a good man“, em nossa homenagem.

Fotos: Ozzie Gheirart

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O “primo pobre” do Daft Punk

Por essa os franceses do Daft Punk não esperavam. A descoberta de parentes perdidos que residem aqui no Brasil.Que subvertem suas bases eletrônicas misturando conga, funk carioca e technobrega ao seu refinado som.

Auto proclamados como Daft Pobre,  a dupla já fez um certo barulho em festas especializadas em bootlegs/mashups e até mereceu uma menção honrosa no polêmico “P#rra DJ!“. Os meninos de capacete esperam ter uma oportunidade na vasta cena de DJs e produtores do Brasil.

Fiquei curisoso e procurei saber mais sobre eles.

1 – Daft Pobre? Vocês são parentes perdidos da dupla francesa? 

Somos os filhos perdidos de uma suruba do Daft Punk com uma galera da lage (risos).

2 – Como aconteceu o nascimento do duo? Como pintou a ideia?

Já tocávamos juntos em Vitória sem os capacetes e a pista curtia muito. Quando tivemos a idéia do Daft Pobre, começou como uma brincadeira que fizemos apenas pra tocar numa festa, chegando lá ficamos surpresos que o povo já conhecia os mashups que fizemos e decidimos continuar.

3 – Vocês acham que os mashups ainda tem força nas pistas?

O mashup é o presente e o futuro da pista. No Brasil ainda estamos engatinhando nos mashups, mas nos Estados Unidos e Europa,  já é visto como gênero musical. A Bootie é a maior festa do estilo no mundo e no Brasil já temos franquias no Rio eem BH. Provado sucesso e da força que ele têm.

4 – Quais produtores (além do Daft Punk) que vocês curtem?

Chimbinha, Justice, Mastruz com Leite, João Brasil, André paste (que é nosso conterrâneo e parceiro), Skrillex, Jaloo, Dj Cremoso, Will.I.Am, entre outros tropicalistas perdidos no mundo da música.

5 – Se começarem a tirar grana, pretendem mudar de nome?

Só se o daft punk proibir a gente de usar esse… E isso sim seria algo legal, né? Imagina o escândalo!? Do Brasil para o mundo.

6 – Aonde podemos ouvir suas produções ao vivo?

Passamos por um pequeno recesso devido a mudança do Leandro pra BH, mas estamos botando em prática nossos planos de voltar com tudo! Noticia em primeira mão pro blog: dia 18 de maio estaremos na Bootie BH.

Entrevista: Gattopardo

Com raízes fincadas no punk 77, no wave & pós -punk,  os rapazes da Gattopardo são mais um novo exemplo de artistas que nadam contra a correnteza do pop aceitável da cena paulistana.

Tirando uma sonoridade que remete ao período de bandas como Mercenárias, Akira S e Fellini, foi uma boa surpresa ouvir suas duas primeiras faixas disponíveis no Soundcloud.

Conversei com dois de seus integrantes, Elcio Basílio e Pedro Keppler

1 – Quando pintou a ideia de formar uma banda? O quê moveu vocês?

Elcio: A ideia inicial da banda surgiu quando eu conheci o Rodrigo (guitarra). Nossa idéia era montar uma banda ’77 com influências de Clash, Adverts, Richard Hell, Stiff Little Fingers etc. com letras em português. Mas não tínhamos baterista, nem conseguíamos entrar em acordo quando compúnhamos. A banda deu um tempo, começamos a escutar outras coisas, principalmente pós-punk e as bandas da Crass Records. Quando conheci o Pedro, falei para ele que a gente estava pensando em fazer um som meio Peace Punk, meio Pós Punk. Ele topou, e enquanto isso eu e o Rodrigo começamos a fazer umas músicas, finalmente. Mas foi quando o Alan (bateria) entrou que a gente adotou o nome Gattopardo e começou a tocar de verdade, ensaiando em estúdio e já buscando uma sonoridade mais próxima do pós punk mesmo, que nos identificamos por ser meio estranha e com um clima mais soturno.

Pedro: O Elcio e o Rodrigo já tinham a banda, de certa maneira. Eu tocava pós-punk já com o Fellipe, amigo meu, num esquema de gravação em casa. Nós só sentávamos para compor. Essa banda, o NNNEEEMMM durou um ano e lançou uma demo. Mas ainda temos planos de voltar. O Gattopardo surgiu e eu queria algo mais rock, mais palco e raça, menos sofisticação, entende? E o Alan surgiu um dia no bar que frequentamos, conversamos sobre música e ele se interessou em tocar conosco. Ele já tinha bandas no meio hardcore, na época, inclusive, já andava bastante longe com o Push Mongos. Com essa história do hardcore, ele sempre teve banda. Mas sempre foi aberto para coisas novas também, acho que isso que trouxe ele para tocar conosco.

2 – O nome Gattopardo é alusão ao ditado: “A noite todos os gatos são pardos”?

Elcio: Sim, pensamos no ditado também. Mas a razão principal do nome Gattopardo é o filme do Visconti baseado no romance homônimo do Lampedusa que retrata uma família aristocrática Siciliana durante o período de Unificação da Itália.

Pedro: Na verdade, o Elcio tinha esse nome há um tempo. Apesar de Gattopardo vir do livro que o Visconti fez um filme, os primeiros ensaios foram marcados como Gatos Pardos. Alguma coisa a ver com gato negro, símbolo anarquista, a simbologia do gato etc. como nessa sua pergunta. Mas depois eu lutei muito para chamar nossa banda de Hexen. Tinha até um logo. É engraçado até, pois foram vários nomes que fizemos testando logos e todos os dias, depois das aulas na USP, pegava ônibus com o Elcio mostrando os desenhos. Lumpen, Hex, Hexen, Luppi (de lobos), Crassos (em alusão aos irmãos romanos e ao Crass, que é uma de nossas bandas favoritas), Gracos (também em alusão à Roma Antiga). No final, nada era bom o suficiente e simplificamos por imposição Gattopardo, para ser prático de uma vez.

3 – Detectei boas referências do Pós Punk nacional no som de vocês. Quais bandas daqui (e de fora) que influenciaram vocês?

Elcio: Do Pós Punk nacional as Mercenárias e Fellini são nossas bandas favoritas. De fora, gostamos bastante de Siouxsie and the Banshees, Gang of Four, PiL, Joy Division, Dead Kennedys, Bauhaus, Television, The Fall, Crisis, Zounds, Crass, Wire, New Order, The Wake, Iggy Pop…

Pedro: Eu vejo da seguinte maneira. Todos nós gostamos das mesmas bandas, praticamente, mas com medidas diferentes. O Rodrigo é amarrado com o Smiths, ele sempre toca riffs do Johnny Marr para ver se a guitarra está afinada. O Alan tem uma coisa com hardcore, muito d-beat, também. O Elcio puxa muito da blank generation, punk rock bem de 1977, até pela performance dele. O meu interesse mesmo é em música experimental, sons novos etc. Mas não posso deixar de dizer, como fã religioso de the Fall que escuta um disco praticamente todo dia, que essa banda é minha maior influência. Do pós-punk nacional é importante manter essa corrente. Eu faço questão que as músicas sejam em português.

4 – A cena musical brasileira tem dado maior destaque a artistas “engraçadinhos” desde os anos 2000. É possível reverter essa situação?

Elcio: Sim, sempre é reversível. O rock nacional dos anos 80 é lembrado pelo seu engajamento, e hoje o que vemos é o oposto. Apesar do crescimento econômico e da diferença de contexto de lá pra cá, ainda acredito que seja necessário uma postura política mais bem definida pelos artistas presentes na mídia. Existe um certo comodismo de que tudo está indo muito bem e as coisas vão mudar por si só. Mas não é bem assim, se nós não cobrarmos a mundança, ela nunca ocorrerá. E a canção popular sempre foi um meio eficiente para isso.

Pedro: A situação a ser revertida tem muito mais a ver com a mentalidade brasileira de abaixar a cabeça. As pessoas parecem incapazes de buscar algo além de seus círculos. E a música engraçadinha facilita isso. É bastante conformista, não leva ao conflito. Se é possível reverter não entra tanto no nosso mérito, mas o que nós fazemos está contra a correnteza e, independente de conseguirmos nadar ou sermos levados por ela, é extremamente gratificante pensar que não nos conformamos com o que somos contra.

5 – Vocês tem planos para lançar um álbum e marcar shows ainda em 2012?

Elcio: Acho que um álbum ainda não é viável, mas estamos para gravar uma nova demo e pretendemos lançar um EP no segundo semestre. Quanto aos shows, temos quatro marcados até abril, todos na cidade de São Paulo. Mas aceitamos convites para tocar nas cidades próximas.

Pedro: Sim, aliás, eu pensava em nunca tocar em São Paulo e apenas nas cidades próximas. Quanto maior São Paulo fica e mais oportunidades surgem nela, mais ela parece ficar cafona, limitada e até fascista. Chamem-nos para tocar na sua cidade e nós buscamos acertar isso com o maior prazer!

6 – O quê vocês pretendem fazer quando chegar a idade do lobo?

Elcio: Na canção “A hora do lobo” existe uma crítica à virtude como um fim em si mesma e à maturidade como o estágio em que o ser humano descobre as “verdades” da vida. Esperamos que saibamos lidar com isso de uma forma menos hipócrita. Fora isso, não temos planos tão distantes.

Pedro: A gente é meio Peter Pan, às vezes.

Top 3 Morrissey

Neste domingo (11/03) , o “dândi mor” da cena britânica chega a São Paulo para finalizar sua mini-tour pelo Brasil. Morrissey na minha modesta opinião foi dos poucos artistas que souberam envelhecer com dignidade. Além de transformar sua imagem e som em algo atemporal.

Meu primeiro contato com a sua figura foi no programa “Vídeo Show” em 1985, quando era transmitido aos domingos. Surge na tela uma matéria sobre as três bandas sensações do momento. No caso, The Cure, Echo & The Bunnymen…e The Smiths. Lembro de ter achado aquilo tudo muito estranho e fora dos padrões do que eu achava legal num grupo de rock. Naquele período, o Van Halen pra mim era a melhor coisa do mundo.

A imagem do clipe de “The Boy with The Thorn in His Side” marcou aquele dia. Na hora não havia gostado, tinha preferido a banda de Mr. Ian  Mcculloch. Talvez por ter achado eles menos afetados e com cortes de cabelos mais legais. Com o passar dos anos, fui ouvindo a obra dos Smiths e procurando saber o que significavam suas letras. Com o fim da minha infância, muitas das coisas cantadas por Stephen Patrick Morrissey faziam sentido para este que vos escreve.

Lembro também de ler na extinta revista Bizz, uma nota sobre o fim da banda e pouco tempo depois, saber que seu vocalista estava com um ótimo trabalho solo. No ano 2000, veio fazer um show no país. Infelizmente os ingressos se esgotaram e eu não pude assistir. Após uma década, finalmente terei a chance de vê-lo ao vivo.

Aproveitando, selecionei três faixas que nunca saíram de meu playlist pessoal.

Happy Mondays no Brasil em 2012

Parece que depois da volta do Stone Roses e das aparições de Peter Hook e do New Order no Brasil, chegou a hora de um dos maiores expoentes da geração Madchester retornar ao país. O polêmico Happy Mondays  já foi considerada a banda mais “química” da história do rock e levantou sua bandeira hedonista no início dos anos 80.

Entre brigas, idas e vindas e processo entre os integrantes, era hora de uma trégua entre seus integrantes. Segundo notícia divulgada no Globo.com, o grupo dá as caras no Circo Voador dia 17 de março e fazem uma data em São Paulo no dia 16 do mesmo mês sem local ainda definido.

Eles já estiveram no Rock in Rio de 1991 com um dos shows mais caóticos de sua carreira, marcado por diversas aventuras antes e depois da participação no festival.

Bati um papo rápido com o DJ/promoter carioca Wilson Power, um dos grandes responsáveis pela vinda do grupo.

Como foram as negociações para fechar os shows do Happy Mondays no Brasil?

Eu comecei as negociações junto ao Alexandre Rossi do Circo fazem 5 meses. No começo foi difícil porque só o Shaun Ryder queria vir (solo). Discuti muito com manager explicando que seria um fracasso e para piorar o Bez e o Shaun não se falavam mais. Mas acho que a volta do Stone Roses teve uma influência muito grande para acabar com a babaquice.

A banda frequentemente confirma e desmente seu retorno. Será que agora será pra valer?

Vai ser para valer sim,deixei muito claro que para continuar as negociações haveria de ter um concenso mútuo. Ou vinha todos ou não vinha ninguém. Cheguei a bater boca via email com o manager deles.

Teremos a formação clássica nestes shows?

A formação o Shaun seu irmão o Bez e Rowetta tá certa.

Quais datas foram fechadas? Quando saberemos do local em SP e o valor dos ingressos?

A Data confirmada é só a do Rio. Mas SP tá dentro com certeza!

“Pills n´Thrills & Bellyaches” será apresentado na íntegra assim como o Primal Scream tocou seu clássico “Screamadelica”?

Sobre as Músicas nada foi imposto,eles vão decidir.