Entrevista: Bruno Belluomini

Bruno Belluomini é o nome por trás da cultuada festa de “Bass Music” Tranquera, que funciona também como uma central de informações para o crescente público de dubstep.

Belluomini iniciou seus passos no mundo da música atuando na cena hardcore de SP, mas no meio do caminho, seus ouvidos foram seduzidos pela música eletrônica. Especialmente pelas batidas quebradas e graves pulsantes do drum n´bass.

Seu séquito foi crescendo ao longo dos anos e sua noite virou uma das grandes referências no underground. O DJ/produtor prepara-se para tocar na festejada versão brasileira do festival Sónar (no mês de maio) ao lado de medalhões como Chromeo, Cee Lo Green, Flying Lotus e outros nomes ascendentes da dance music.

1. Como foi seu primeiro contato com a música eletrônica? Quem foi o responsável por você abraçar de vez a “Bass Music”?

Conta o fato de poder escolher pessoalmente entre K7 ou vinil o famigerado House Remix Internacional, na Hi-Fi, no final dos 80? Hahahahaha! Quem fez com que pudesse acreditar no meu trabalho mesmo foi o Marky – descia no Lov.e de bicicleta, deixava a bike amarrada no poste e só saia de lá depois do café da manhã. A minha história com a Bass Music começou no Jungle e no som do Marky.

2. Conte um pouco sobre seu passado na cena Hardcore.

O Hardcore e o Punk Rock foram as minhas escolas sonoras durante a adolescência: ir aos shows, gravar fitas para trocar com os amigos, escrever fanzines, colocar carta no correio, tudo isso me marcou bastante. O “DIY” faz muito sentido para mim.

3. A Tranquera é uma noite pioneira no atualmente comentado Dubstep. Foi difícil formar um público que ainda não estava familiarizado com o estilo?

A Tranquera surgiu em 2005. Naquela época o som ainda era muito pouco conhecido pelo grande público e nenhum clube topava conversar sobre a minha festa de forma profissional, até que um dia o Facundo me recebeu e topou testar minha idéia. Por anos fizemos a Tranquera em lugares diferentes: em bares, nas ruas, em galpões, etc.

4. O que podemos esperar de sua apresentação no Sónar em maio?

Sons graves com forte influência de Chicago e Detroit.

5. Planos para criar uma nova festa? Algum som novo que pode acontecer muito em breve por aqui?

O plano agora é manter a qualidade criativa do que já fazemos.

6. Algum produtor novo que você recomende?

Vários: Tessela, Krystal Klear, Lone, Martyn, Blawan, Julio Bashmore Boddika, Joy Orbison, Jon Convex, Addison Groove, Ramadanman, Scuba e Geiom.

7. Você acredita num revival maciço do Jungle ou do Drum’n’bass?

O que tenho visto hoje são alguns artistas usando o Jungle e o Breakbeat Hardcore como referência principal em suas produções. Essa é uma pergunta que o Marky deve saber a resposta.