Entrevista: Adriano Cintra

Após uma saída tumultuada (e comentada) do CSS, Adriano Cintra retornou ao Brasil para retomar antigos projetos musicais e focar sua energia em novas sonoridades. O músico que ficou célebre por não ter papas na língua e ser o cabeça de bandas que chocaram o underground brasileiro, ainda mantém um grande amor pela música e não pretende abandonar os palcos tão cedo.

Lembro de ter visto essa figura pela primeira vez nos idos de 1994 (ou 1995), quando ele comprava discos na loja em que eu trabalhava. Na época, era um fã ardoroso de Rollins Band, Mr. Bungle, Boredons, Sonic Youth e outras pérolas sonoras barulhentas que embalaram minha adolescência.

Ao contrários de outros sites/blogs, não quis explorar o ocorrido com sua antiga banda, mesmo porque esse assunto já deu.

Abaixo, um bate papo com o próprio:

1 – Você teve passagens por bandas bem distintas como o I Love Miami, Thee Butcher´s Orchestra e CSS. O que podemos esperar de suas novas produções?

Eu gosto de música, sempre fiz, estudei e vivi disso. Eu sempre vou fazer música, vou experimentando e lapidando o que eu sei fazer.

2 – Qual foi o maior desafio em retomar o projeto Mydirtyfingers?

Essas músicas que estão lá são músicas que eu já tinha feito fazia um tempo. A maioria eu tinha mandado pra “vocalista” da minha antiga banda para ver se ela escrevia alguma bobagem para ela cantar. Como ela nunca se prontificou a falar se tinha ouvido as músicas ou não, resolvi eu mesmo escrever letras e gravar, vai que um dia alguma dessas músicas apareciam no “novo” disco do CSS? Sei lá. Achei melhor me prevenir.

3 – Foi difícil aprender a tocar trompete? Como está a experiência de ser uma “one man band”?

Eu não sei tocar trompete. Eu estou estudando e é uma coisa muito difícil. Pra mim é um instrumento abstrato, eu tenho vontade de chorar e jogar ele no chão. Mas estou obcecado com ele e consigo tocar minhas coisas de quatro notas. Estou estudando saxofone também, acho mais fácil.

4 – É menos estressante compor e gravar sozinho?

Não, é diferente. No CSS eu nunca compus nem gravei com elas, uma vez que eu tinha que acabar regravando a maioria das coisas que elas gravavam porque ficava abaixo da média. As únicas bandas que tive onde compúnhamos todos juntos era o Butchers e o Caxabaxa. Diz  a lenda que vamos gravar um disco esse ano. Estou ansioso, saudades de fazer música com o Marco.

5 – Conte mais de como pintou a parceria com a Marina Gasolina.

Eu sempre fui muito amigo de Marina desde a época que fizemos a turnê americana (em julho de 2006). Quando me mudei para Londres éramos vizinhos e sempre que estou por lá nos vemos sempre. Ela é muito talentosa, escreve, toca, arranja, faz suas demos e tem uma puta voz. Fizemos umas músicas no fim do ano e deu tão certo que ela voltou para fazermos um disco inteiro. Vai ser um disco bem esquisito e diferente do que as pessoas esperam.

6 – Planos para alguma tour e lançamentos para 2012?

Então. Minha banda com a Marina se chama Madrid. Vamos marcar uns shows aqui em SP mais pra frente e em abril eu vou pra Londres e vamos marcar alguns shows por lá. E eu fui convidado por Naná Rizzini para montar um projeto com ela para tocarmos num cruzeiro. Esse projeto cresceu, juntamos a Marina, a Nello (que gravou uma música senscional com a Naná chamada São Brooklyn, tem um vídeo no youtube muito muito muito bom) e o André Whoong. Nossa super banda se chama ManPurse. Estamos aí, queremos nos divertir e tocar. É muito bom tocar com gente que curte tocar.

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