Os 10 momentos mais constrangedores da minha carreira

É queridos, não pensem que só vive de glórias e elogios quem fica por trás do som nos clubes e festas. A maioria dos profissionais prefere deixar a parte chata entre amigos íntimos, mas eu prefiro falar pra exorcizar tudo de uma vez e transformar a tragédia de ontem no motivo de risos de hoje.

Já fiz apresentações em que tudo deu certo e até algumas que não me agradaram, mas fez a alegria da pista ou de algumas pessoas que estavam nela.  De calotes a aparelhagens e discos que não cooperam, esse é o lado nada glamouroso da profissão DJ.

1 – Quando a  aparelhagem te tira do sério

O retorno num clube não funcionava e o mixer estava completamente embolado. Fui inventar de misturar dois estilos muito diferentes quando a faixa estava quase no final. Deu um samba que parecia mais o som de um acidente. Quando for assim, apenas façam uma passagem suave.

2- Quando o CD emperra

Fui tentar tocar um velho hit pedido por um conhecido, o CD travou e ao invés de eu tocar outra coisa, fui insistir e ele travou de novo. A pista ficou me olhando com aquela cara de “que p#rra esse cara tá fazendo” e aí mudei de tática pra arrumar a c#gada.

3-Quando invadem a cabine

Numa data interestadual, estava tudo correndo bem e eu estava tocando de muito bom humor…até uma fofa subir na cabine pra dançar e acidentalmente arrancar os cabos do mixer deixando um silêncio no local. Em outro caso recente, uma amigo bem trapalhão quis ficar pulando na cabine e botou abaixo a decoração de helloween.

4 – Quando te pedem pra falar ao microfone depois das 3h30 am

Estava comemorando antes de tocar e achei bacana a ideia de shots de Jack Daniel´s. No meio da discotecagem, iriam sortear ingressos para um show. Bom, eu estava conseguindo tocar mas não conseguia falar claramente ao microfone. Sorry.

5 – Os pedidos mais estranhos

Em uma festa temática anos 90, uma garota pediu que eu tocasse Nina Simone, expliquei que era festa temática anos 90. Aí ela me responde p#taça: “Mas a Nina Simone viveu até os 90!”. Então tá.

6-Não teve pista, não vai ter cachê

No início de carreira fui chamado de última hora para uma festa improvisada num extinto clube que era considerado um dos locais mais cool de SP. Na noite do evento choveu e a “promoter” divulgou poucas horas antes. A casa não encheu e mesmo com 7 pessoas na pista, a desculpa para não me pagar foi: “Não teve pista, então não podemos te pagar”.

7 -Em certas festas, tocar outro estilo musical é uma faca de dois gumes

E lá fui eu querer bater de frente com uma audiência xiita fora da minha cidade. Toquei uma versão remixada de uma banda popular de 2006 e um cara na pista não gostou nada ameaçando arrancar meu fone e me chamar pra porrada. Os seguranças agiram rápido e explicaram que ele achava que era dia da festa de música brasileira. Ufa!

8 – Quando não entendem seu som

Todo mundo se acha crítico e expert, mas ninguém tem a boa vontade de lembrar que existem vários tipos de DJs e nem sempre podemos desagradar os promoters e donos das casas que trabalhamos. Tive que tocar um set diferente do que havia preparado, agradei a pista, menos uma possível ex-fã que me espinafrou e ainda quis me passar o playlist ideal. Cada coisa que temos que aguentar!

9 – O aspirante de última hora

Sabe aquele cara que já vai no clube carregando laptop ou o case para conseguir tocar um pouco? Pois bem, me estressei muito com eles por um período, mas o pior foi até hoje um que invadiu a cabine e aproveitou que saí para pegar um drink. O cara acabou com a pista e ainda levei a culpa. Pergunta se eu achei legal? NOT!

10 – O pedinte teimoso

Quem toca músicas com vocal está mais propício a ter leves irritações na vida noturna. Em particular, pelas famosas figuras que bebem além da conta e decretam que você será seu iPod Shuffle particular. Foi tanta encheção que toda vez que ia tocar levava comigo uma placa escrita: “DJ não é Jukebox”. Óbvio, ela provocava ainda mais.