Entrevista: P#rra DJ!

Picaretas dos decks, tomem cuidado! Uma equipe que defende os bons entusiastas da música eletrônica está de olho em vocês. Como sagazes detetives, Jesus Light e sua equipe nos deixam por dentro das últimas falcatruas que acontecem em festas, clubes e eventos “Globais”.

Este que vos escreve conseguiu localizar este ombudsman da cena noturna que contou como e porque começou este site que faz a alegria (e revolta) de nossos amigos discotecários. Claro, com muito bom humor e nada de “bicudices”.

1- De onde veio o P#rra DJ? Algum site como o Dead Act influenciou a criação dele?

O PORRA DJ foi lançado em 9 de Março de 2010, Dia Internacional do DJ, e nasceu em meio ao crescente movimento “PORRA” que surgia na época, livremente inspirado nos brasileiros “PORRA, Felipe!” criado por @pedroleite82 e no “PORRA, Mauricio!” criado por Fernando Marés de Souza (@porramauricio).

A idéia era fazer uma crítica a cena eletrônica de uma maneira diferente. Criar um espaço livre para que as pessoas pudessem comentar sobre situações e personagens, expressando sua opinião sem se preocupar com a seriedade ou a famosa política de “protecionismo” com que a mídia, revistas, agências e promotores de evento tratam como comum.Estávamos descontentes com a atual situação da cena eletrônica? Sem dúvida. O PORRA DJ tem uma conotação mais humorística da coisa? Provavelmente. Estávamos preenchendo o vazio que o Dead Act deixou quando acabou? Talvez. Mas a principal questão sempre foi envolver as pessoas.

Todos sempre dizem que a cena eletrônica precisa se unir e abrir diálogo para crescer. Bem, errada ou não, o #porradj foi a nossa forma de unir opiniões de pessoas que trabalham com a música eletrônica no país inteiro para discutir o que tem acontecido. Como conseqüência, expor e divulgar publicamente estes assuntos de uma maneira, digamos, meio ácida, colocando o que todos não acham ser correto, acham curioso ou até mesmo engraçado na profissão-DJ.

Exercer a liberdade de expressão. Era necessário que alguém desse um passo a frente e  falasse algumas coisas que estavam presas nas entranhas de todos os profissionais da eletrônica, como:Eu não acho certo pseudo-celebridades “atacando” de DJs e tirando a minha oportunidade de mostrar o meu trabalho.

Eu não acho certo que tal DJ ganhe um cachê absurdo para utilizar um notebook com um DJ Set pré-progamado.

Eu não acho certo que um DJ coloque o seu nome em uma música de autoria de outra pessoa.

E é claro, coisas mais “light” como:Eu acho engraçado esta foto que encontrei na Internet.Eu acho engraçado este nome de DJ e, na boa, seu slogan é ridículo também!

A chamada “CENA” eletrônica sempre foi tratada com muita seriedade. Os artistas e todos os profissionais tinham que ter um outro ponto de vista sobre a coisa. E assim, de uma ação isolada para o Dia Internacional do DJ nasceu a expressão que não sai da boca do povo quando quer mostrar sua indignação ou tirar uma onda com o cara na cabine… PORRA DJ!

Para galera que interessar, saiba mais sobre a PORRA toda: http://porra.dj/sobre

2- Jesus Luz personifica tudo de ruim que há num pseudo DJ?

Não! Acho que ele não merece todo este crédito. PORRA! Jesus Luz, na época em começo de “carreira”, era o “da vez”. Deu a cara tapa e foi pego no flagra em situações pra lá de ridículas, além de ter chamado atenção à discussão sobre os pseudo-DJs até com gringos como o Tocadisco. Ou seja, no lugar errado, na hora certa. Jesus Luz acabou se tornando a personificação de tudo de ruim que existia.Mas, sejamos francos, ele não é o primeiro, nem o último a deixar a música e a técnica de lado para transformar a cabine do DJ em um palco de teatro.

3- O que tem ferrado mais a profissão DJ? Ex- BBB´s ou atores da Globo atacando nos decks?

Sinceramente? Os próprios DJs. Eles e até os produtores musicais, principalmente os mais ligados a cena comercial, pararam de ousar. A criatividade e a preocupação com a composição musical cedeu espaço para o Marketing.

E quando tentam concorrer baseados no Marketing, na verdade o que causou foi abrir espaço para outras pessoas que são muito melhores nisso: Ex BBBs e atores da Globo. Afinal, se um promoter contrataria o TOP DJ X para colocar 1000 pessoas na festa, independente do seu som, porque ele não contrataria um Global que bota 5x mais pessoas, muito mais fácil?

Ah! Mas veja bem… o ator ou o ex-BBB não sabe tocar música eletrônica! Pois acontece que, sem a ousadia que existia anos atrás e a evolução da tecnologia, todos os gêneros ficaram muito simples, as mixagens pobres e o acesso a “boas” músicas muito fácil.Ou seja, repito. A culpa é dos DJs. Se todos estivessem preocupados com música e a arte, dificilmente teríamos um global ou ex-BBB nas pickups. Afinal, eles não se arriscariam em scratches, mashups ou mixagens mais elaboradas.

4-Qual foi a notícia que mais provocou revolta na página?

PORRA! São tantas, mas tantas emoções… Díficil citar uma só! Costumo dizer que o #porradj não é feito por posts ou notícias, e sim, por um diálogo diário. É como se TUDO fosse um único grande post retratando uma discussão necessária na cena eletrônica atual.

5- Algum vídeo memorável de picareta em ação?

Para quem acompanha o #porradj, sabe que toda semana acaba aparecendo “o da vez”. E neste quesito “picareta em ação”, os tópicos são bem democráticos, vai de ex-Big Brothers, sub-celebridades e atores até caras renomados internacionalmente tendo seu momento #fail.

6-Você já viu de perto um desses caras que fingem que tocam e foram pegos no ato?

Muitas vezes. O showbusiness cria este tipo de situação.Inclusive, na maioria dos  casos, os caras nunca nem estiveram na frente dos equipamentos e acabam pedindo ajuda para o DJ residente, técnico de som ou até para o responsável pela iluminação. É triste, afinal, um DJ de verdade, trabalhador, que ama música e quer mostrar seu trabalho, perdeu a oportunidade de estar ali em cima, tocando para o seu público.

7-Algum dia vamos saber a identidade de Jesus Light.

Hahaha, quem sabe? Por que não PORRA! Mas afinal, importa saber a identidade de Jesus Light? O #porradj é um conjunto de vozes de todos que participam, comentam, compartilham e discutem as situações que são trazidas por estas mesmas vozes! J. Light é apenas mais uma.

8- Pra terminar. A maior vergonha alheia postada vai para...

PORRA! Sem dúvida, a representação do significado da expressão #vergonhaalheia vai para a fatídica foto do Jesus Luz no seu início de carreira, no Green Valley: