Entrevista: Marina Vello

Ninguém poderia imaginar que a estudante de letras paranaense Marina Vello algum dia subiria num palco e ficaria marcada como uma das performers mais selvagens e carismáticas do início do século 21. Com passagens por algumas bandas de rock do circuito indie de Curitiba, Marina chamou a atenção do grande público quando virou frontwoman do escrachado Bonde do Rolê, que logo receberia convites para rodar o Brasil e o restante do mundo.

Depois de sua saída do combo funk exportação, a vocalista tomou um tempo para repensar em sua carreira e antes que estivesse recuperada da ressaca pós tour, gravou seu inconfundível vocal para diversos artistas/produtores e agora retorna sob a alcunha de Marina Gasolina prometendo ficar firme e forte na cena. Bati um papo com a própria que falou sobre seus planos e uma tour por nosso país em breve.

1-Depois da passagem turbulenta em seu antigo grupo, como foi voltar aos palcos?

Foi ser uma baleia desencalhando da praia e voltando pro oceano (risos). Eu cheguei ao ponto de odiar tanto fazer turnê que eu esqueci que na verdade eu gosto muito de estar no palco, eu me divirto mesmo. E agora é mais gratificante, eu tô construindo uma carreira de verdade e não um hype de banda mais legal da semana passada como da outra vez. Leva mais tempo e eu estou ralando o dobro, mas a satisfação é tripla.

2- Você fez colaborações com diferentes artistas que vão de Radio Clit, Edu K, Maskinen e até a cantora folk Soko, como pintaram esses contatos?

Na estrada da vida. Edu conheci em Porto Alegre,ele diz que nos somos tipo Bowie e Iggy, Radioclit produziu 2 faixas do disco do bonde, e nós ficamos super amigos, volta e meia a gente tá todo mundo tomando cerveja e sai alguma idéia (como foi com a Soko que tava lá na casa do Johan de bobeira e a gente terminou a noite fazendo Mum, ou os remixes do radioclit pra metronomy e architecture in Helsinki que eu pus a voz também).

3-Conte um pouco sobre seu projeto Marina Gasolina.

Primeiro disco solo, sem funk, em inglês (um pouquinho de português aqui e ali), produzido pelos mesmos Radioclit Boys! A gente passou um ano inteiro escutando rockabilly, hillbilly, rock steady e acabou saindo um disco de pop e rock com influência de rockabilly. O lendário Chucrobillyman tá numa das faixas do disco, e o Electronicat co-produziu 5 faixas. Tem uma última música com co-produção de uma banda bem foda que eu adoro, mas que ainda é segredo.

4-Você acha que finalmente se livrou do estigma de ser uma cantora exclusivamente de funk carioca?

Eu sou uma MC de funk ainda, semana passada eu estava em Estocolmo escrevendo coisas novas de funk com o Maskinen, Schlachthofbronx, Radioclit. Mas isso agora eu faço só por diversão. As pessoas ainda ficam impressionadas quando eu mostro alguma coisa em que eu canto de verdade, mas pra ser sincera eu gosto disso. Tudo que é facil demais não tem gostinho de vitória, então quando todo mundo puder escutar o disco, o conceito das pessoas sobre Marina Gasolina vai mudar pra sempre.

5-Nesse tempo, aprendeu a mexer em algum software novo de produção musical?

Hummm, mais ou menos. Eu aprendi ableton live e pro-tools, mas só necessário pra gravar minhas coisas em casa. Eu tenho explosões de criatividade onde uma mÚsica sai em 20 minutos, e daí eu gravo pra não esquecer, agora a parte de gravar direitinho, conseguir os sons que estão na minha cabeça, pra isso eu preciso de um produtor, eu não tenho paciência. Mas eu gosto de experimentar com efeitos, plug-ins e midis, achar sons diferentes, mas mesmo assim, eu acho um som bom, uma coisa diferente depois eu preciso do produtor pra fazer o negócio funcionar saca?

6- O rock foi sua base sólida musical, mas em algum momento você foi uma fã ardorosa de música eletrônica e afins?

Quando eu era adolescente eu odiava com todas as minhas forças musica eletrônica até eu escutar Daft Punk e Devo. Daí fodeu. Meu marido me fez gostar de minimal Techno, hoje em dia não importa estilo, desde que o barulho seja bom.

7-Tem algum produtor, DJ que está fazendo sua cabeça nos dias de hoje?

João  Brasil é meu favoritos dos brazucas, Martin Buttrich, Matthew Herbert e o novo do Chemical Brothers (muito da rave).

8- Alguma surpresa para 2010? Um recado para todos que torceram pela sua volta?

2010 tem turnê da Marina Gasolina ai no Brasil! Vocês vão ver ao vivo e a cores o  que é um retorno de Jedi (risos) Tem mais, mas eu não quero estragar a surpresa.

Um pensamento sobre “Entrevista: Marina Vello

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