Entrevista: Mukeka di Rato

Aclamados como um dos principais nomes do hardcore capixaba, o Mukeka di Rato está na tortuosa estrada do rock desde 1995. Suas letras irônicas e irreverência ao vivo, lhes deram notoriedade não só no Brasil, como em outros países como Estados Unidos e Japão.

Com poucas mudanças na formação e seis álbuns de estúdio, o grupo formado atualmente com Sandro, Paulista, Brek e o figuraça multimídia Mozine, está em tour divulgando o recente “Atletas de Fristo“. Num cenário musical tão nauseante e inofensivo, é uma benção ter esses caras na ativa.

Abaixo, uma conversa que tive com Mozine:

1 – Existe algo mais indigesto que uma moqueca de rato? Aonde surgiu o nome do grupo?

O nome surgiu de duas situações.  No ES na década de 90, estava rolando uma forçação de barra pra um certo regionalismo na musica, talvez em função do sucesso de algo parecido com isso, porém natural, que rolou em Recife.  Tudo aqui naquela época era nome de passarinho, natureza, batucada, coisas típicas, etc. E não tem nada mais típico aqui do que tal da moqueca.  Ai resolvemos fazer esse nome ai, um nome pra agredir a galera da musica aqui do ES, tipo, jovem revoltadinho mesmo.  Pegamos o gancho de uma matéria que vimos na Veja, falando sobre pessoas no nordeste que estava comendo ratos, inclusive usamos a foto dessas pessoas comendo ratos assados em um lixão na nossa primeiro demo tape, e foi basicamente isso.

2 – Mesmo tratando temas sombrios e pessimistas nas letras, vocês nunca tiveram uma postura carrancuda no palco e com os fãs. O segredo é não se levar a sério demais?

Algumas musicas da gente são um pouco pessimistas, e acho que isso se tornou um pouco mais nítido depois do CD Carne e nesse ultimo agora, o Atletas de Fristo.  Porém antes, mesmo com as musicas recheadas de criticas socais, algumas até bastante inocentes e imaturas no começo, eu até vejo bastante coisa positiva, letras até esperançosas. Na verdade a nossa grande preocupação foi sempre de passar as coisas de uma forma reflexiva e subjetiva, por mais que a gente não tenha conseguido isso sempre.  A primeira musica, do primeiro CD, diz tudo: Quer ir? Vai.  Tipo isso, a gente pensa assim e acha que isso não é legal, mas você quer ser assim, ok, seja.

3 – Quais mudanças ocorreram de 1995 até hoje?

Além das barrigas, bigodes, velhice, chatices mais aguçadas, menos paciência dos integrantes um com o outro, talvez um pouco mais de maturidade nas letras, mais experiência dentro do estúdio, e basicamente tudo que o tempo pode trazer em aprendizado de musica e de comportamento.  Uma das mudanças relevantes para a banda se manter até hoje foi quando pudemos ver claramente que nunca poderíamos sobreviver de musica tocando o que tocamos.  Acontece que nunca pensamos isso, porém, numa determinada época dos anos 90 e comecinho do anos 2000, devido a grande numero de criticas positivas e convites para shows e festivais, chegamos a cogitar a possibilidade, sim, de viver de musica.  Depois que todos os integrantes de uma certa forma se estabilizaram profissionalmente, ou começaram a buscar esse caminho, a banda continuou sendo vista de forma profissional e também uma fonte de renda, porém, essa fonte não é necessária pra nossa sobrevivência.  Dessa forma, por mais que exista um cansaço devido aos anos na estrada, quando nos dispomos a viajar pra tocar, fazemos isso de coração, com vontade e vamos as cidades tocar porque queremos, e não pra matar cachê.

4 – Como nasceu a Läjä Records? Estavam cansados de como os selos estavam fazendo a distribuição ou apenas quiseram declarar total independência?

Quando nosso primeiro CD saiu, eu fiz um trabalho muito forte ajudando esse selo a distribuir nosso disco pra lojistas e assim fui fazendo os contatos.  Também fazia muitas trocas de material e constantemente tinha que comprar discos da gravadora.  Dessa forma eu percebi que poderia fazer exatamente aquele trabalho deles, e talvez até melhor.  Então eu montei a laja pra lançar o Mukeka di Rato.  Mas mesmo antes de lançar o “Gaiola”, nosso segundo CD e primeiro pela laja, eu já havia lançado outras bandas com o Gritos de Ódio (ES) e TPM (SP), dessa forma a laja foi uma gravadora criada com a idéia de lançar o mukeka di rato, mas mesmo antes disso acontecer, já havia mudado o rumo e virou uma gravadora pra quem eu quiser lançar.

4 – A faixa “Rinha de Magnata” teve clipe concorrendo no VMB de 2007 e parou na trilha do filme “O Magnata”. Foi um choque ver um ator Global cantando ela?

Brother…… eu acho que estou muito doido, muito mesmo, mas essa música nossa, não faz parte desse filme não, ou faz? Eu acho que é outra musica, porque eu sinceramente nunca me interessei por ver esse filme ai não, mas se tem nossa música, acho que não pediram autorização, ou é outra.

5- Fale mais sobre os projetos paralelos. Continuam firmes e fortes?

Continuam.  Os pedrero acabou de gravar um vinil chamado Pin Up gordinha, um 7” que foi prensado em Londres e agora acabou de sair uma versão em CD desse vinil distribuído por varias gravadoras do Brasil.  O Merda é um projeto que não para de gravar.  Fizemos agora um 7” split com a banda capixaba Morto Pela Escola,  esse vinil vai sair nos EUA e pela laja.  A prensagem é americana.  Em dezembro o merda gravar seu novo full lenght, que vai se chamar “indio cocalero” e vai sair apenas nos EUA pela gravadora Give Praise Records, em vinil de 12”.  Há planos para uma tour do merda nos EUA em abril do ano que vem, mas bota planos nisso, devido ao lance dos vistos, pode ser que de bosta.

6 – Quais bandas tem feito a cabeça? Algum bom artista Capixaba que ainda não foi descoberto e mereça ser ouvido?

Eu gosto muito do Fe Paschoal e a Dizzy Queen.  Pode parecer muito tendencioso eu citar esses dois, por foram exatamente meus dois últimos lançamentos aqui do ES, porém, se eu lancei, é exatamente por isso, porque são os dois que eu mais gosto e que se encaixam no selo.

De uma galera que corre por fora, eu poderia citar o Solana.  São ótimos musicas e tocam rock n roll meio choradinho, sei lá, não sei como rotular, não é o meu som, mas eu consigo visualizar que o que eles fazem tem muita qualidade.  De mais pesado eu citaria o Ass Flavour, uma banda de death metal de Vila Velha, que inclusive já tem um CD gravado e poderá sair a qualquer momento.

Zero Zero é uma banda de punk hardcore nova, meio na onda do anos 80 americano que acho que começa a ganhar destaque na cena nacional, recentemente tocaram em SP com Limp Wrist.  André Paste é um DJ que tem tocado nas melhores festas do Brasil, e eu vejo as pessoas que gostam do estilo babando em tudo que eles faz, e das poucas apresentações dele que fui aqui no ES, eu também fiquei babando, vi o set do inicio ao fim.

http://www.laja.com.br/

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