Supositórios cinematográficos-Godzilla Vs. Megalon

Foi em 1976 o ano em que foi lançado esse supositório cinematográfico com wassabi, chamado “Godzilla VS. Megalon“. Mal sabia eu que mais tarde, em 1988 uma cópia VHS japonesa, porcamente dublada em inglês viria parar em minhas mãos.

Desde bem pequeno pirava em seriados japoneses com monstros destruindo cidades e tudo o mais que vissem pela frente, portanto era inevitável que um dos meus preferidos viria a ser o lagartão Godzilla. Todas as manhãs era imprescindível assistir “Spectreman“, “Ultraman“, “Ultra Seven“, “Robô Gigante“, “Vingadores do Espaço“, e além dos seriados, também não perdia o desenho americano do Godzilla, que o elegeu herói da criançada.

Godzilla animado

Aos 11 anos, durante uma viagem que fiz com meus pais para a terra do Tio Sam, em um Wall-Mart da vida, a grande novidade eram as fitas de VHS “self thru” (filmes que passavam exaustivamente como reprises e você podia adquiri-los por um preço bem baixo) e fuçando as prateleiras em busca de algum tesouro perdido encontrei o único filme do monstrengo à venda: “Godzilla VS. Megalon”.

Voltamos para casa e mal podia esperar para assistir a um filme de verdade do Godzilla, sem ser um desenho animado. Eu dei um azar danado, já que a fita era da fase em que o Godzilla tinha passado de vilão para mocinho, até a máscara dele tem uma cara fofinha. Esperava ver a máquina de destruição da década de 50/60 e não o protótipo do Baby, da Família Dinossauro.

O enredo era mais ou menos assim: humanos ambiciosos faziam testes nucleares na Ilha dos Monstros (para quem não conhece, a Ilha dos Monstros é a morada do Godzilla, assim como na série original). O problema é que esses testes, além de aborrecer os monstros de borracha, também acabam torrando o saco de seres subterrâneos da comunidade de Seatopia (um misto de Atlântida com “festa da toga”).

Não demora muito para os habitantes de Seatopia enviarem seu monstro para chutar o rabo dos humanos. Para despertar a criatura é necessário um ritual de dança constrangedor, enquanto o líder (único ator não-japonês e com um bigode horroroso) entoa palavras cabalísticas para o terrível Megalon surgir das entranhas da mãe Terra. Megalon é uma espécie de “furadeira + cigarra + besouro”, no quesito criatividade, tenho que deitar para o pessoal da produtora Toho.

Enquanto segue a seqüência de clichês de filmes de monstro gigante: explosões, tanques de brinquedos atacando o cara vestido de monstro, maquetes em chamas, etc. , em uma escola uma criança está prestes a concluir sua maior criação: o robô super-herói Jet Jaguar, que mais parece Ultraman drogado. Isso mesmo, uma criança desenvolveu um super ciborgue que voa, usa lasers e fica gigante… Para quê precisamos do exército?

Durante a orgia de devastação de Megalon, Jet Jaguar adquire vontade própria e empatia pela raça humana, o que faz com que ele voe para a Ilha dos Monstros para contratar Godzilla para ajudá-lo a salvar a Terra (lê-se Japão). O ápice do filme é a luta entre esses três personagens, além da convocação um monstro do filme anterior do Godzilla, um misto de “robô +serra elétrica + urubu”, afinal de contas sei lá que porra seria o Gigan! O resultado é um festival de sangue falso e explosões a perder de vista, com certeza o cara da pirotecnia deve ter sido o que mais trabalhou nas três semanas de filmagem dessa bomba.

Megalon, Gigan, Godzilla & Jet Jaguar

Originalmente, o filme seria sobre o ciborgue Jet Jaguar, só que a Toho achou que seria mais rentável usar o lagartão cuspidor de fogo como atrativo principal no filme e deixar os outros personagens como meros coadjuvantes. Além do final, sem dúvida, uma das melhores cenas é a voadora dupla que Godzilla aplica no Megalon, de dar inveja no Hulk Hogan e Michel Serdan!

Essa fita é considerada um dos piores filmes da série, mas acabou me marcando porque mesmo tendo ficado mega decepcionado quando criança, cresci e acabei gostando porque comecei a olhar a coisa com outros olhos. Para mim virou uma comédia sensacional cheia de erros de continuação, que de tão absurdos parecem ser propositais. Se quiserem morrer de rir, assistam.

Godzilla Vs. Megalon (Gojira tai Megaro)

Japão, 1976

Direção: Jun Fukuda

Toho Productions

Godzilla detonando e sendo detonado

Trailers americanos

BEZZI

1 Comentário

  1. cadê os herculóides?


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