Cair no ostracismo pode ser o pior pesadelo para artistas que outrora ditavam tendências e desfrutavam das paradas de sucesso. Medalhões como Madonna, AC/DC, U2, Bob Dylan e Rolling Stones têm poderes para driblar o tempo e os modismos de maneira eficiente, bem diferente de três artistas que tentaram se adaptar à nova onda que rolava em suas épocas.
Incursão no Hip Hop

Em 1987, Dee Dee Ramone, famoso por ser um baixista simples e eficiente nos Ramones começou a se interessar pela emergente cultura hip hop que acontecia na década de 80 nos EUA, encabeçada principalmente por artistas dos selos Def Jam e Tommy Boy.
Até aí tudo bem, não vejo nada de mais em um sujeito que toca numa banda punk curtir um rap, o problema é quando o punk deseja ser o rapper (literalmente). Dee Dee achava que o hip hop tinha a sinceridade e a revolta de uma alma inconformada, coisa que o punk-rock já não oferecia aos seus fãs. Daí a decisão de se transformar em Dee Dee King, a nova esperança branca do hip hop. Imerso nessa breve carreira, conseguiu lançar o ep “Funky Man” (1987) e o álbum “Standing in the Spotlight” (1989), ambos tiveram uma repercussão tão grande quanto o estouro de uma biribinha de São João. O constrangimento foi tal, que em 1989 Dee Dee percebeu que sua paixão pelo hip hop deveria ficar somente entre quatro paredes e tratou de abandonar as correntes de ouro e os boombox para retomar o baixo nos Ramones.
Migrando para o Nu Metal

Só de ser pronunciado o nome Vanilla Ice já costuma provocar risos por aí. O rapper branquelo e aspirante a bad boy apareceu na indústria musical munido de um corte de cabelo ridículo, calças de pára-quedistas e um saco de mentiras. Logo no início de carreira já foi descoberto que o Baunilha nunca foi assim tão íntimo com a bandidagem como costumava bradar em suas entrevistas, ele é o exemplo mais deprimente de artista fabricado por gravadora.
Lá pelas tantas da década de 1990 com sua credibilidade abalada e o sucesso crescente do novo estilo gangsta rap, nosso amigo Baunillha tentou emplacar um álbum (“Mind Blowin’”) nas paradas que só tinha letras sobre armas, tretas e maconha. Para ter uma idéia de como o esforço foi legítimo, até dreadlocks e piercings Baunilha se propôs a exibir.
Do jeito que as coisas iam a gente quase o confundiu com um brasileiro, porque ele não desistia nunca! A piada final veio em 1998 quando o Iceman decidiu que já que tinha que sido escorraçado pelos manos, a sua nova onda seria o nu metal. Lançou o disco “Hard to Swallow”, e o título era tão fiel ao conteúdo que durante um show de pré lançamento ao atirar cópias para o público, todas foram “carinhosamente” lançadas de volta.
É Rave!

Depois do calvário do Vanilla Ice, comecei a achar que 1998 não foi um ano de muita sorte para artistas que tentaram experimentar novos estilos tomando como base outros artistas que tiveram êxito. Lembro quando o U2 apareceu com o “Pop” e discretamente incluíram elementos da música eletrônica (um estilo que estava ganhando a massa) e também da Madonna que veio com o “Ray of Light” e mesclou trip hop, trance e house ao seu som, de maneira bem interessante. Aqui no Brasil, os cariocas do Barão Vermelho piraram o cabeção e decidiram que naquele ano lançariam o pior disco de sua carreira. “Puro Êxtase” é o que posso chamar de bad trip do começo ao fim.
Como todo mundo que decide botar a mão na merda resolve começar de cima, pelo cabelo, o Frejat cortou, descoloriu e fez tudo que tinha direito para ficar com um “visú” de cybermano. O resto da banda embarcou nessa roubada abusando dos óculos de lente amarela e camiseta agarradinha. A faixa-título descreve como uma garota moderna se joga na night e as sensações de tomar uma bala… conclusão, ela é puro êxtase! Depois do Cazuza ter se revirado bastante no túmulo, o Barão voltou ao que fazia bem feito, o rock and roll.
Querido (a) leitor (a), depois de todas essas escorregadas a moral da história é a seguinte:
“Melhor um fracasso na mão do que dois voando” (essa moral não se aplica ao caso do Vanilla, ok?)
BEZZI
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